Início / Blog / Literatura / Quais são os livros mais cobrados no vestibular?

Quais são os livros mais cobrados no vestibular?

Responsive Image

Ler as obras obrigatórias não é a única maneira de estudar Literatura para o Enem e o vestibular. As provas exigem outros conhecimentos e habilidades que você pode adquirir ao longo do seu estudo da disciplina. 
 
Com a ajuda do professor Bruno Santana, coordenador do Hexag da unidade Campinas, vamos explicar neste artigo quais são os livros mais cobrados no vestibular e como se preparar de verdade para as questões de literatura. Confira!
 

Como estudar para a prova de Literatura

 
Estudar Literatura para o vestibular divide-se em aprender Historiografia Literária (História da Literatura), desenvolver habilidades avançadas de leitura e escrita, além de ler e analisar Obras Literárias. Alguns vestibulares exigirão que você ataque as três áreas, outros, apenas as duas primeiras. 
 
Como assim? É que alguns exames como o ENEM, a PUCCAMP e os realizados pela Fundação Vunesp não exigem uma lista de leituras obrigatórias, avaliando o candidato apenas pelo seu conhecimento da História da Literatura e de leitura e escrita. 
 
Outros, como a UNICAMP, a FUVEST, a UEM, a UEL, a UFPR e a UFU, dentre outros, além de exigirem que o candidato leia uma lista obrigatória de livros, cobram que essa leitura seja feita de acordo com os estudos da Historiografia Literária, elaborando questões bem exigentes em termos de habilidades de leitura e escrita.
 

Leituras obrigatórias

 
Antes de passar a lista de leitura obrigatória (que você encontra no final deste artigo), queremos explicar como estudá-las de maneira eficiente. Seguem algumas dicas!
 
Em primeiro lugar, você deve prestar atenção ao fato de a leitura literária ser uma espécie de “arte da atenção”. Ler um romance, um diário, um conto, uma poesia ou um ensaio é bem diferente de ler uma bula de remédio, uma notícia de jornal ou um post do facebook. 
 
A principal característica da Literatura é trabalhar com a linguagem, ou seja, explorar sua multiplicidade de sentidos, trabalhar com as formas e sugerir ideias, sentimentos e sensações. Por isso, ler uma obra literária exige muita, mas muita calma mesmo. 
 

Como estudar um soneto

 
Vamos considerar dois exemplos, o primeiro, os vinte sonetos de Camões, cobrados pela UNICAMP, o segundo, o romance Quincas Borba, cobrado pela FUVEST.
 
No caso dos sonetos de Camões, temos vinte páginas de leitura. Entretanto, o soneto, enquanto forma clássica, é algo extremamente concentrado, por assim dizer, denso. Numa primeira leitura, você terá a sensação de que não entendeu nada. É assim mesmo! Não desanime! A leitura de poesia é uma leitura da repetição, quase da memorização. 
 
É importante, nesse exemplo, que você leia e releia os sonetos várias vezes. Além disso, é importante que você leia uma análise da obra, pesquise palavras no dicionário, busque as referências, assista boas aulas e, até mesmo, se possível, converse com outras pessoas sobre o que você leu. 
 
Uma outra ideia é sempre escrever alguma coisinha sobre aquilo que você entendeu e não entendeu do texto. Fazendo assim, pouco a pouco, as enigmáticas Sião e Babilônia poderão aparecer para você, primeiro, como alusões a um famosíssimo salmo; depois, como metáforas para o exílio e o lar; por último, referências às Índias e a Portugal.
 

Como estudar um romance

 
No nosso segundo exemplo, temos um romance, ou seja, uma longa narrativa em prosa. Quincas Borba, de Machado de Assis, por ser um romance, terá personagens, se passará em diferentes lugares, terá um narrador e se desenrolará em um determinado tempo. 
 
Muitas vezes, ao ler um romance, não conseguimos compreendê-lo por termos dificuldades em saber quem são os personagens, quais são os lugares e sobre qual tempo está falando o narrador, isso pela multiplicidade de nomes e referências. 
 
Por causa disso, uma dica fundamental é que você tenha um caderninho de anotações, no qual você, pouco a pouco, monte uma lista dos nomes de personagens, nomes de lugares e tempos do enredo. No começo, vai demorar um pouco, mas, lá pela página 20 ou 30, sua leitura fluirá tranquilamente. 
 
Por fim, uma dica muito bacana é que você, ao fim de cada capítulo ou parte, faça uma pequena anotação com tudo aquilo que você lembra do capítulo lido. Dessa maneira, você terá um resumo todo seu, que poderá ser lido nas vésperas da prova e que fará com que sua memória recupere toda a leitura de uma maneira profunda.
 

Quando não tem leitura obrigatória

 
Naquilo que se refere à preparação para o ENEM e para os vestibulares que cobram apenas Historiografia Literária, o mais importante é conhecer bem as características de cada Escola Literária, bem como a sociedade em que elas se desenvolveram e as características específicas dos autores. 
 
Por exemplo, para entender bem o Barroco brasileiro, é necessário entender o jogo de contrastes do Barroco, marcado pelo convívio entre o Teocentrismo e o Antropocentrismo; o contexto político, filosófico e cultural da Contrarreforma; o Brasil do século XVII; as características específicas da obra de Padre Antonio Vieira e da de Gregório de Matos. 
 
Para isso, as aulas, os livros didáticos e os exercícios são essenciais. Cabe aqui um alerta: a Literatura é uma arte do texto, da leitura, e, portanto, ao fazer os exercícios, o mais importante é fazer uma leitura detalhada, atenta e bem informada.
 
“Estudar Literatura é ler muito e ler com muita calma”, afirma o professor Bruno. 
 

Lista de Leituras Obrigatórias

 
Confira abaixo quais são as Leituras Obrigatórias exigidas por cada vestibular para 2021.
 

FUVEST 2021

 
Poemas Escolhidos (Gregório de Matos)
 
Quincas Borba (Machado de Assis)
 
Claro Enigma (Carlos Drummond de Andrade)
 
Angústia (Graciliano Ramos)
 
A Relíquia (Eça de Queirós)
 
Mayombe (Pepetela)
 
Campo Geral*  (Guimarães Rosa)
 
Romanceiro da Inconfidência*  (Cecília Meireles)
 
Nove Noites*  (Bernardo Carvalho)
 

Unicamp 2021

 
Sonetos escolhidos (Camões)
 
Sobrevivendo no Inferno (grupo Racionais Mc’s)
 
O Espelho (Machado de Assis)
 
O Marinheiro (Fernando Pessoa)
 
A Falência (Júlia Lopes de Almeida)
 
O Ateneu (Raul Pompeia)
 
Sermões (Antonio Vieira)
 

Vestibulares da UEL – 2021 e 2022

 
Agualusa, Jose Eduardo. O vendedor de passados. São Paulo:Tusquets, 2018.
 
Andrade, Mário de. Contos novos. Nova Fronteira, 2015.
 
Azevedo, Aluísio. Casa de pensão. São Paulo: Martin Claret, 2013.
 
Barreto, Lima. Clara dos Anjos. São Paulo: Martin Claret, 2011.
 
Branco, Camilo Castelo. Amor de perdição. São Paulo: Melhoramentos, 2013.
 
Collin, Luci. A palavra algo. São Paulo: Iluminuras, 2016.
 
Guarnieri, Gianfrancesco. Eles não usam black-tie. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.
 
Jesus, Carolina Maria de. Quarto de despejo. São Paulo: Ática, 2019.
 
Matos, Gregório de. Poemas escolhidos de Gregório de Matos. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
 
Scliar, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. Porto Alegre: LPM editores, 2017.
 

UEM

 
Carlos Drummond de Andrade: Antologia poética. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, [119 poemas].
 
Mário de Andrade: Contos novos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011. [9 contos].
 
Milton Hatoum: Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
 
Augusto dos Anjos: Eu e outras poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002.
 
Machado de Assis: Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Martin Claret, 2012.
 
Clarice Lispector: A legião estrangeira. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
 
Carolina Maria de Jesus: Quarto de despejo. São Paulo: Ática, 2014.
 
Gianfrancesco Guarnieri: Eles não usam black-tie. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,2010.
 
Luci Collin: A palavra algo. São Paulo: Iluminuras, 2016.
 
Álvares de Azevedo: Melhores poemas. São Paulo: Global, 2001
 

UFPR

 
O Uraguai, Basílio da Gama
 
Últimos Cantos, Gonçalves Dias
 
Casa de Pensão, Aluísio de Azevedo
 
Clara dos Anjos, Lima Barreto
 
Sagarana, Guimarães Rosa
 
Morte e Vida Severina, João Cabral de Melo Neto
 
Nove Noites, Bernardo Carvalho
 
Relato de um certo oriente, Miltom Hatoum
 

UFU

 
ANDRADE, Carlos Drummond de.. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
 
ANDRADE, Jorge. A moratória. Rio de Janeiro: Agir, 1996.
 
AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. São Paulo: Ática, 2011.
 
FREIRE, Marcelino. Contos negreiros. Rio de Janeiro: Record, 2010.
 
WALKER, Alice. A cor púrpura. São Paulo: Marco Zero, 1986.
 
NUNES, Lygia Bojunga. Retratos de Carolina. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2008.
 
Agora você já sabe quais são os livros mais cobrados no vestibular. Se quiser ficar por dentro de mais dicas e informações, acesse o Blog do Hexag Medicina e confira nossos artigos.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

Compartilhe

Sobre o autor

user

Comentários

Responsive Image

Bitnami