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Racismo estrutural no Brasil – Um tema que precisa ser discutido

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O racismo estrutural tem sido um tema recorrente nos noticiários, nas redes sociais e nas rodas de conversa, e também é um assunto importante para quem está estudando para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e para o vestibular. Afinal, as provas costumam explorar problemas sociais e da atualidade em suas questões e na redação

Apesar de finalmente estar se falando sobre isso, a luta contra esse tipo de desigualdade ainda está longe de acabar. Por isso, dar voz à população negra e discutir sobre o assunto é extremamente importante, pois todos nós vivemos uma cultura racista e nem sempre percebemos isso. 

Quer saber mais sobre o racismo estrutural no Brasil e a importância de discutir sobre ele? Continue a leitura e confira!

O que é racismo

Entende-se por racismo a atitude ou o comportamento que discrimina e oprime uma pessoa ou um grupo de pessoas por causa de sua raça. Segundo o dicionário Priberam de Língua Portuguesa, essa prática “defende a superioridade de um grupo sobre outros, baseada num conceito de raça, preconizando, particularmente, a separação destes dentro de um país ou região (segregação racial) ou mesmo visando o extermínio de uma minoria.”

Em 1989, foi instituída a Lei Federal 7.716, que torna o racismo um crime e prevê pena de até 5 anos de reclusão e multa, sendo também imprescritível e inafiançável. Mas, na prática, não acontece exatamente assim. Por ter sido construído com uma base escravocrata, o racismo faz parte de um processo histórico que molda a sociedade até hoje. A questão é que nem sempre percebemos isso. É aí que entra o racismo estrutural.

O que é racismo estrutural

O Brasil foi o último país do continente americano a abolir a escravidão, em 1888. Apesar de finalmente terem libertado as pessoas negras, o governo não ofereceu nenhum tipo de políticas públicas para ajudar os milhares de negros que, até então, tinham sido tratados como mercadoria. Assim, surgia um enorme abismo social. 

Sem estudo, sem moradias dignas, sem trabalho e sendo constantemente marginalizados, eles acabaram jogados à própria sorte e com poucas condições de sobrevivência. Apesar de não serem mais escravos, a população branca continuava a enxergá-los como inferiores, atacando sua cultura, sua religião e sua cor. Um exemplo disso foi a Lei dos Vadios e Capoeiras, instituída em 1890, que proibia a prática de capoeira e prendia quem era encontrado praticando.

Foi diante dessa estrutura social vivida pelo povo brasileiro ao longo das décadas que as situações racistas tornaram-se naturais e parte da vida cotidiana. Por meio de ações, hábitos, pensamentos e falas, as pessoas promoviam a segregação racial direta ou indiretamente. Essa naturalização que aconteceu por causa dessa herança histórica, vinda de centenas de anos de escravidão, recebe o nome de racismo estrutural.

A maioria das pessoas, quando abordada, afirma não praticar o racismo. Mas existe um conjunto de hábitos e falas pejorativas que fazem parte de nossos costumes e que acabam promovendo o preconceito e a segregação racial. Por exemplo, a palavra “denegrir” é uma expressão racista que significa “tornar negro, escurecer”. Quer outro exemplo? Se referir a uma pessoa negra ou preta chamando-a de “mulata” ou “pessoa de cor” é uma atitude racista também. 

O racismo estrutural no Brasil

As pesquisas mostram que a desigualdade racial no Brasil ainda é muito grande. Um exemplo disso é a representatividade dos negros no Congresso, que conta com 96% de parlamentares brancos liderando um país cujos habitantes são em sua maioria (54%) negros.

A segregação afeta também a segurança dessas pessoas. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o homicídio entre jovens negros é quase três vezes maior do que de brancos. Quer outro dado assustador? A cada 23 minutos morre um jovem negro no Brasil, é o que mostra o Mapa da Violência, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

A população preta também encontra dificuldades na área da educação. Até hoje, a taxa de analfabestismo de pretos ou pardos é quase três vezes maior do que a de brancos, segundo dados do indicaPnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) Contínua Educação 2019, divulgada em julho pelo IBGE. 

Os cargos e salários do negro também são inferiores. Uma pessoa branca chega a receber em média 72,5% a mais do que uma pessoa preta ou parda. Além disso, as oportunidades são menores. No segundo trimestre de 2020, durante a pandemia, o desemprego atingiu mais pretos (15,4%) do que brancos (10,4%).

Como mudar este cenário

A primeira coisa que podemos fazer é falar sobre isso e dar voz aos negros, pretos e pardos, para que todo o país consiga ouvi-los e reconhecer o racismo estrutural em nossas atitudes e, então, mudá-las. Como diria Ângela Davis, “não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”. 

Agora você já sabe um pouco mais sobre o racismo estrutural no Brasil e a importância de discutir esse tema. Quer saber mais sobre assuntos que podem cair no Enem e no vestibular? Acesse o Blog do Hexag Medicina e confira nossos artigos.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

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