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Aula em vídeo – Perestroika e Glasnost

Prof. Angélica Pastori

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Ao estudarmos geografia contemporânea frequentemente nos deparamos com processos que estão muito ligados ao cotidiano da história. Para melhor compreensão desse cotidiano o recurso de se utilizar de leitura de biografias para detectar influência de histórias pessoais, dramas do dia a dia e cenários transitórios de época, pode ser de grande auxílio no entendimento da origem e dinâmica de grandes fenômenos históricos que – por sua vez – modificaram as relações no espaço geográfico reorientando a ordem mundial de forma incontestável.

Sob esta ótica encontramos a reestruturação política proposta pela Perestroika, uma de suas maiores prerrogativas: a Glasnost e o consequente Fim do Modelo Socialista Soviético como intimamente relacionadas à trajetória de um personagem histórico que se destaca como idealizador e frustrado executor de projeto, Mikhail Gorbachev.

A escolha da palavra reestruturação política e não reconstrução ou reorganização política – como foi amplamente divulgado na época – revela o cuidado de Gorbachev com a escolha das palavras que seriam a chave para um novo modelo de socialismo a ser seguido por seu país, a então União Soviética, e não para o seu fim (1991), como de fato aconteceu quatro anos após o lançamento do livro “Perestroika: A New Thinking For Our Country and The World”.

Como Secretário Geral do Partido Socialista Soviético na época – 1987 – Mikha, como ficou conhecido por muito tempo, formulou 254 páginas com o apoio de uma imensa equipe econômica e política que tinha por objetivo gerar uma oportunidade da URSS continuar como uma unidade de poder regente das relações daquele momento.

Porém o descompasso verificado entre as tecnologias e modelos militares essenciais ao modelo bipolar da guerra fria: poderio político-econômico e militar armamentista nuclear já se encontrava acelerado. O modelo capitalista do projeto “Guerra nas Estrelas” de Ronald Reagan era o apogeu da indústria armamentista nuclear daqueles dias e acionava uma futura indústria de guerra espacial promissora para os Estados Unidos, mas que a União Soviética já dava sinais de que não poderia acompanhar.
Esse descompasso é fácil de entender hoje – quase 30 anos depois – ao comparar os modelos tecnológicos de então, suas prerrogativas políticas e seu ritmo de produção econômica. Notadamente salta aos olhos o fato de que o modelo produtivo socialista soviético não acompanhou a vanguarda capitalista – excetuando-se a indústria espacial e armamentista nuclear e em raros momentos. Se somarmos a essa incompatibilidade a corrupção que havia na administração do partido e a crescente crise econômica relacionada a esses dois fatores pode-se chegar à conclusão de que o enfraquecimento político seria iminente.

Prevendo essa possibilidade “o partido” delegou uma árdua tarefa foi dada a Gorbachev: tendo como partida um ideário de reestruturação e não reconstrução – pois este implicaria na destruição de algo – propor a abertura da União Soviética a uma perspectiva de Transparência de Informações (Glasnost, significa transparência no idioma russo), a fim de captar investidores estrangeiros e uma provável abertura de mercado para o capitalismo sem abandonar a caracterização inicial de país socialista.
Porém o que ocorreu e que Mikha lamenta até hoje afirmando-se como “enganado historicamente” é que seu discurso foi utilizado de “má fé” para uma entrada voraz do capitalismo na União Soviética que – ao contrário do que está escrito no ideário proposto pelo livro – não realizou a devida administração dessa entrada de capitais e investimentos no país, o que somando-se aos fatos já apresentados, levou-o a banca rota pouco tempo depois do lançamento do livro.

Os fatos registrados poucos anos após o fim da URSS, colaboram para esta visão legitimando o fim do Modelo Socialista Soviético e o atual estado de fraqueza econômica e política da maioria dos países remanescentes ao bloco socialista tanto da Ex-URSS, a atual CEI, e dos países remanescentes do sistema socialista daquela época, na Europa Oriental.

Aparentemente China e Vietnã foram os únicos que conseguiram efetivar alguma transição de sistema em suas economias abrindo o mercado para a entrada “controlada” do capitalismo e conservando o regime político socialista. Porém muitos especialistas alegam em suas análises que estes países se descaracterizaram como socialistas quando comparados ao socialismo político que originou as revoluções que legitimaram seus regimes de governo. Deve-se igualmente estudar esses casos com igual atenção entre o aparente e o real.

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