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Previsão FUVEST 2015 – Português

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Olá, queridos alunos! Sejam bem-vindos a uma previsão para o vestibular da FUVEST, que é um dos vestibulares mais importantes. Você, que ficar ligado, vai ficar preparado aqui no Hexag vestibulares. Eu sou o professor Lucas Limberti de Português com algumas dicas importantes.

Vou começar falando de uma coisa importantíssima que é a questão da interpretação de texto. É fundamental pensar na interpretação de texto para todas as disciplinas do português e para as demais. Os alunos, às vezes, se perdem um pouco porque não vêem o verbo que dá o comando da questão. Pedir para identificar uma coisa ou para relacionar outra, depende muito do que o verbo significa, então pense bastante nesse verbo antes de resolver a questão.

No caso das questões de literatura, que é a primeira frente que nós vamos trabalhar aqui, fique atento sempre ao enunciado, que ele vai te dar alguns encaminhamentos para você ir primeiro a quem escreveu o texto e depois ler o texto. O aluno que não está preparado começa a ler o texto sem saber do que trata a questão e perde tempo, que é o que não podemos perder no vestibular da FUVEST.

Bom, então vamos começar a falar de literatura. Você tem sempre que pensar que a literatura é uma das frentes do português que é concebida como uma obra de arte. Nesse sentido, a questão artística deve ser levada em consideração. Os aspectos técnicos, o momento em que ela foi produzida, o fato de ela sempre ser única, estar ligada à biografia de um autor, se relacionar com o contexto, atingir o sublime da arte deve ser levado em conta. Há uma tríade que eu costumo passar aos alunos que ajuda muito a fundamentar a análise na resolução das questões, que é a seguinte: o contexto, o autor e a obra; é nessa sequência que você deve fazer a sua análise.

O que é o contexto? O período histórico. Quando aconteceu. E nesse contexto nós vamos estudar o conceito de escola literária. O que é uma escola literária, então? Quando começa e termina um texto que tem um limite que nós chamamos de “limite estético”. Ou seja: uma forma e um conteúdo específico, uma característica temática e formal que são específicas em um determinado período. Esse é o conceito de escola literária.

Depois nós vamos olhar para esse período procurando os agentes dessas produções literárias. Então nós vamos analisar a biografia desse autor e de que maneira essa biografia vai mimetizar o contexto em que ele vive na sua obra. A época, a biografia e a obra. Quando você vai para a obra, você vai pensar nela esteticamente também: se é prosa, se é poesia. Se for prosa, todas as características ligadas à prosa: se é um romance, um conto; se for poesia, então, se é um soneto, um verso-livre, um poema concreto. Vale dizer que a FUVEST tem duas vertentes para a literatura. Uma que leva em consideração toda a literatura, desde o Trovadorismo (primeira escola literária que começa após o fim do império sacro romano) até os dias atuais, que nós chamamos de contemporâneo. E a outra vertente é a lista com as nove obras de leitura obrigatória.

Vamos falar um pouco dessas duas vertentes.

A primeira fala de todas as escolas literárias, então ela pode fazer perguntas vinculadas à lista de obras. Assim, por exemplo, ela pode fazer perguntas sobre a primeira escola, Trovadorismo, sobre um período de transição, o Humanismo, sobre o Renascimento com o Classicismo. Depois, vamos para a origem da literatura brasileira com o Quinhentismo do período colonial. Seguimos, assim, com o Barroco, o Arcadismo, o Romantismo, no início do século XIX, o Realismo, o Parnasianismo e o Simbolismo, o Pré-modernismo e, por fim, o Modernismo com suas três gerações, ligando com a literatura de hoje. Essa linha literária que eu falei para vocês é legal para você ligar e perceber que ela tem relação com o materialismo histórico que vai se fundamentando sobre lógicas contrárias, como por exemplo, razão e emoção, que tecnicamente nós damos o nome de apolíneo e dionisíaco segundo uma crítica de Friedrich Nietzsche, filósofo alemão que conceituou sobre essas duas perspectivas. De um lado, o emocional dionisíaco e, do outro, o racional apolíneo. É legal vocês passarem por toda a literatura atentando a tudo isso sob a lógica da tríade contexto/autor/obra.

A segunda vertente é a da lista de obras. Ela te direciona sobre o que você deve saber sobre literatura.

Primeiro livro: Viagens na minha terra, de Almeida Garret: importantíssimo para a discussão da questão da saída da família real de Portugal. O livro tem duas partes. Em uma delas há o enredo romântico, totalmente da primeira geração nacionalista, onde ele faz uma discussão entre o espaço de Lisboa a Santarém.

Depois Til, de José de Alencar, do romantismo brasileiro. Aqui estamos em um momento regionalista, onde José de Alencar dá espaço para um lugar não falado pela literatura até então, que é o interior paulista.

Memória de um sargento de milícias marca o romance urbano, também do Romantismo, com uma perspectiva pré-realista do autor, no entanto ainda tem um final de redenção.

Depois, O cortiço, um dos principais expoentes da tendência naturalista, que é do Aluísio Azevedo, no final do século XIX, onde se discute a formação urbana e todas as questões ligadas ao determinismo social, ao darwinismo, enfim, às teorias cientificistas do final do século.

Com Capitães de Areia, de Jorge Amado, há o cotidiano de todos aqueles meninos, Pedro Bala, Sem-pernas, que viviam ali na praia, enfim, trazendo uma lógica regionalista, olhar para o povo que também vai aparecer em Vidas Secas.

Mas antes vamos falar de A cidade e as serras, de Eça de Queirós, escritor realista português da terceira geração, chamada de realismo fantasista, que queria fazer as pazes com Portugal, fazendo uma ligação entre a cidade e as serras, com o personagem Jacinto que volta de Paris para Tormes e tenta equilibrar a civilização com o meio urbano atrasado.

Depois Vidas secas, de Graciliano Ramos, fazendo parte da segunda geração modernista, chamada prosa de 30, onde nós vamos ter a vida de Fabiano, da Sinhá Vitória, da cachorra Baleia e dos meninos, que é uma vida cíclica. Apresenta capítulos organizados de maneira independente que funcionam para registrar a vida cíclica desses retirantes.

E, por fim, Sentimento do mundo, obra que tem um gênero diferente das demais, pois trata de poemas. Carlos Drummond de Andrade, também segunda geração modernista, aquela intimista e social, vai elencar 28 poemas que vão transmitir o sentimento de um homem que está indignado com o mundo caduco frente às guerras. Um livro maravilhoso. Vale à pena conferir.

Bom, essa é a lista de livros. Se você não sabe algum nesse momento, vale à pena ler os resumos, assistir aos filmes, vários deles têm filmes, para você ir bem na prova da FUVEST.

Agora vamos prestar atenção em outro tema fundamental que é o gênero redação, que tem um peso muito grande e é pedida em forma de dissertação pela FUVEST. A dissertação é aquele tipo de texto em que você precisa defender uma idéia. E a estruturação para você, candidato, sempre lembre: você vai ter de dividir sua redação em três partes. É muito importante que você planeje sua redação antes de colocá-la no papel. Então, nela tem de haver uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. Na introdução você vai apresentar seu tema, apresentando sua tese em relação ao tema específico.

No desenvolvimento você vai elencar os argumentos que vão garantir que sua tese tenha base.

E a conclusão, que é quando você retoma sua tese inicial passando por um processo que já foi defendido e termina afirmando “tá vendo como eu estava certo”. Lembrando ainda que o texto deve estar em terceira pessoa, bem organizado, com letra legível, para não perder ponto, boa estruturação das ideias e da argumentação.

Fizemos uma pesquisa dos últimos vestibulares da Fuvest para de alguma maneira mapear uma possível previsão.

Em 2014, a redação teve como tema a relação com os idosos.

2013, a questão do consumismo, fator primordial que move a engrenagem social.

2012, as participações políticas e a relação que a sociedade tem com as eleições, como é que a pessoa vê as eleições.

2011 o altruísmo, a coisa de ajudar o próximo, como é que se fundamentam esses conceitos na nossa sociedade.

2010, o mundo por imagens, como é que a gente vende a nossa imagem, qual imagem nós fazemos dos outros, como construímos a imagem de si e de outrem.

2009, fronteiras, tanto as fronteiras físicas dos países, discutindo o que é essa questão fronteiriça, e também as fronteiras psicológicas que se estabelecem na cabeça das pessoas.

2008, o mundo digital, uma discussão profunda sobre a internet.

2007, as relações de amizade, com o tema da organização social com os pares, de moralidade.

2006, o trabalho e suas relações, discutindo as questões de trabalho desde a mais valia do Marx até a exploração do trabalho infantil, fundamentando essa proposta.

Para fazer a prova, é importante você estar atento a tudo que acontece no Brasil e, principalmente, no mundo. Ficar atento a essas duas perspectivas. Questões políticas, sociais, questões morais, religiosas podem aparecer de alguma maneira. Este ano foi um ano cheio de acontecimentos, pois se seguiu às grandes manifestações de junho/ julho de 2013 na luta pelo valor da passagem de ônibus que mobilizou todo o país. Além disso, vimos questões sobre a copa do mundo e seu legado, as eleições, que de alguma maneira dividiu a população, utilizando-se da internet. Há também outras questões, como a política internacional, o Oriente Médio, a educação e o PIB, como fazer um país melhor pensando na educação.

Para terminar, vamos falar sobre a parte de língua, ou seja, gramática: parte de regra e estruturação. Nós elencamos aqui alguns pontos importantes. Sempre é legal prestar atenção no seguinte: as questões de gramática sempre vão partir de um texto. Você tem de contextualizar a regra dentro do texto. A regra vai cobrar então: conceitos de pontuação, regência, verbos, conjunções, concordância, o aposto e o vocativo, artigo, numeral, denotação, conotação, a linguagem não verbal, as tirinhas, as charges, o infográfico, e a discussão sobre a linguagem culta e a linguagem coloquial, aquilo que está na regra e aquilo que está na fala popular, e o confrontar, que é fundamental para qualquer pessoa que quer ter uma proficiência na língua, que quer demonstrar essa proficiência na língua. Espero que essas dicas tenham valido a pena e que você mande muito bem no vestibular. Até uma próxima!

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

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Sobre o autor

professor lucas hexag

Lucas Limberti

Lucas Limberti é professor de Literatura no Hexag Vestibulares.

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