Início / Blog / História / PARABÉNS SÃO PAULO

PARABÉNS SÃO PAULO

Responsive Image

Após a comemoração do seu 461º aniversário, São Paulo vive momentos de preocupação com uma possível escassez de água. Ironicamente, a cidade cresceu dentro de uma tríade de rios: o Tietê, o Pinheiros e o Tamanduateí. Isso sem considerar ainda os rios menores, pelos quais os primeiros habitantes locais se locomoviam.

A riqueza fluvial paulistana era tamanha, que na época dos bandeirantes (homens que viviam em busca de meios de enriquecer rápido, buscando ouro ou capturando índios no interior do território brasileiro), os rios da cidade eram os pontos de partida de grande parte das bandeiras e entradas.

Com o passar dos séculos, os rios de São Paulo começaram a ter suas margens ocupadas, levando a uma transformação lenta, que seria contínua. Mesmo com as terras marginais ocupadas, até os anos finais da década de 40 do século passado, os principais rios da cidade ainda possuíam águas limpas, sendo possível a sua utilização para atividades de lazer e esportes (regatas de remo, provas de natação e mergulho).

A grande e infeliz virada que veio com a década de 50 e 60 e o crescimento desenfreado que se instalou na capital paulista transformaram definitivamente a cidade na locomotiva do país. A enorme quantidade de indústrias que se instalaram, fizeram a população aumentar muito, devido à migração de pessoas que sonhavam com oportunidades de emprego e ansiavam por melhores condições de vida.

Nesse momento, a ocupação urbana paulistana já havia tomado boa parte dos rios da cidade, os quais passavam a ser vistos como problemas, pois na época das chuvas, no verão, os rios transbordavam e muitas moradias eram inundadas. O que fazer então? Será que o ciclo natural dos rios, os quais sempre encheram com as chuvas do começo de ano, estava errado? Claro que não.

O real problema era a ocupação desordenada de pessoas que buscavam moradias baratas nas áreas das várzeas.

Outro problema recorrente nessa época foram os despejos de esgotos industriais e residenciais nos leitos dos rios, os quais inutilizaram as águas dos mesmos, já que, dali em diante, só serviam para alagar a cidade.

Com a crise hídrica vivida nos dias atuais, as quais derivam de inúmeros fatores que não explicitaremos aqui, passa a ser uma enorme loucura: é difícil pensar que uma cidade como São Paulo, que possui sua geografia marcada por rotas fluviais, tenha que sofrer agora com a escassez do elemento essencial à sobrevivência humana, a água.

Só resta lamentar a estupidez de moradores e governantes, que com o passar dos anos destruíram seus rios, os quais, hoje, poderiam servir de fontes de água como em algumas cidades do mundo. Eis o belo presente para a maior cidade da América Latina no seu aniversário.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

Compartilhe

Sobre o autor

prof-rozante-historia-hexag

Rozante

Rozante é professor de História no Hexag Vestibulares.

Comentários

Responsive Image