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A linha do tempo: inimiga ou aliada?

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Uma das principais dificuldades do vestibulando é estabelecer uma ordem cronológica dos fatos históricos mais relevantes. Aparentemente, os alunos conhecem os principais eventos da história, porém não conseguem localizá-los espacial e temporalmente. Este problema pode ser constatado, frequentemente, nos temas de História Medieval. Assuntos como Império Bizantino, Império Islâmico, Império Carolíngio e invasões normandas se perdem junto a uma infinidade de outros assuntos de tal maneira que o vestibulando não sabe onde estas civilizações se encontravam, em que época e qual a relação entre elas.

Diante da constatação desse problema, sugiro o uso parcimonioso de uma linha do tempo. Digo parcimonioso, porque uma série de ressalvas e críticas pode ser feita a este recurso didático. Eurocêntrica, a linha do tempo não contempla as transições e continuidades na História, dando a falsa impressão de que as transformações aconteceram de forma abrupta em um ano, como pode ser visto nas datas de eventos que marcam o final de um período e o início de outro. Não se pode ignorar que, por exemplo, muitas sociedades na Europa vão apresentar, em plena Idade Moderna, características típicas da Idade Média que, segundo o modelo tradicional da linha do tempo, terminou em 1453 com a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos. Este é o caso da França que, às vésperas da Revolução de 1789, ainda contava com camponeses submetidos à servidão. Além disso, a linha do tempo enfatiza os temas políticos e militares (guerras e revoluções) deixando de lado outros importantes aspectos que nos ajudam a compreender melhor o passado como a cultura (história das mentalidades) e a economia.

Mas apesar de todos esses problemas, a linha do tempo ainda pode ser muito útil ao vestibulando. Têm sido recorrentes nos vestibulares questões que exigem o conhecimento das peculiaridades econômicas, sociais, políticas e culturais de diferentes períodos da História bem como a comparação entre eventos de períodos distintos. Neste caso, o uso de uma linha do tempo que contemple os principais aspectos socioeconômicos e político-ideológicos pode ajudar a colocar alguma ordem nesta miríade de assuntos históricos dispersos em centenas de séculos e perdidos no espaço.

Existem diferentes tipos de linhas do tempo. Não há um modelo ideal. A melhor linha do tempo é aquela que atende às necessidades do vestibulando. Por isso, é fundamental que cada aluno elabore a sua. Para quem tem dificuldade em História e se perde em meio a tantos temas, recomenda-se, num primeiro momento, uma linha do tempo mais simples, apenas com os grandes períodos da História, as principais civilizações e seus modos de produção e os marcos divisórios entre os períodos. Para aqueles que já têm alguma facilidade com a História e conhecem os principais fatos, é sugerida uma linha do tempo mais detalhada com informações sobre revoluções, guerras, movimentos culturais, sistemas econômicos, organizações sociais e políticas. Atente para não fazer uma linha temporal pobre demais com parcas informações ou, o que é mais comum, com informações demais que podem mais atrapalhar do que ajudar no processo de aprendizagem.

Uma vez confeccionada a linha do tempo, procure sempre deixá-la em um lugar de fácil acesso para as constantes consultas. A linha do tempo é dinâmica e deve estar sempre em aperfeiçoamento. Não hesite em inserir ou suprimir informações dela de modo a atender a suas necessidades. E, atenção, uma boa linha do tempo jamais deve prescindir de um bom mapa. A localização temporal dos eventos será de pouca valia se não vier acompanhada do conhecimento espacial, ou seja, onde aconteceram.

Abraço e bons estudos!

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

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Sobre o autor

Professor Dimas História

Dimas

Dimas é professor de História no Hexag Vestibulares.

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