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Guia completo de como não passar no vestibular, indo mal em História

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Ao longo de 15 anos, trabalhando como professor de História em cursos pré-vestibulares e no ensino médio, percebi que os alunos, de modo geral, não têm uma metodologia de estudo apropriada ou simplesmente não adotam qualquer metodologia. Resolvi então elencar as práticas mais comuns que levam os alunos a um mau desempenho nas provas.

1. A poderosa caneta marca texto.

É incrível o fascínio que alguns alunos têm por essa ferramenta como se, ao destacar uma palavra ou trecho com cores vibrantes, pudesse realizar o milagre da aprendizagem. Em diversas ocasiões, enquanto estava lecionando, percebi que muitos alunos simplesmente grifavam ou marcavam quase todo o texto. Tinha a impressão de que se eu espirrasse, os alunos buscariam isso no texto. Ao término da aula, o que se destacava na apostila dos grifadores inveterados era justamente o que não tinha sido marcado. A caneta marca texto deve ser usada com critério e moderação. Em textos de História, devem ser destacadas apenas as palavras-chave para a compreensão do assunto. Por exemplo, em um texto sobre os fatores da Revolução Russa, deve ser destacada a palavra “czarismo”, forma de governo autocrático que causava grande descontentamento das camadas populares.

2. Não sei resumir. Para mim tudo é importante.

Problema comum entre os alunos e diretamente relacionado ao item anterior. Essa situação é decorrente da falta de uma metodologia de análise dos temas históricos. Para identificar o essencial, procure sempre responder às seguintes perguntas:

a) O que é (são)? Ao buscar a resposta para essa pergunta no texto ou na lousa, você irá identificar a definição ou conceito de um determinado assunto.

b) Quais são os fatores ou causas? Procurando a resposta para essa pergunta, você consegue entender as razões dos eventos e processos históricos. Como ter um bom desempenho nos vestibulares se você não vê o porquê ou o sentido de assuntos como a Primeira Guerra Mundial? Nossa memória tende a fixar aquilo que faz algum sentido, se não faz, ela descarta.

c) Quais as características? Responder a essa pergunta permite ao vestibulando estabelecer comparações entre assuntos e perceber suas semelhanças e peculiaridades. Por exemplo, certa vez uma questão de vestibular cobrava do aluno as semelhanças e diferenças entre o escravismo moderno e o escravismo na Antiguidade. Conhecendo as características da escravidão nestes dois momentos, a resposta seria dada sem dificuldades.

d) Quais são as consequências? Busque no texto os efeitos ou resultados do tema estudado. O entendimento das causas de um fato histórico pode estar associado ao conhecimento das consequências de outro fato. Exemplo: é impossível compreender os fatores da ascensão do nazismo na Alemanha sem analisar as consequências da Primeira Guerra Mundial.

3. Esqueça as datas. Elas não caem mais no vestibular.

Esta é uma falácia que vem sendo repetida por muitos professores nos últimos anos. É inegável que hoje se cobram muito menos as datas do que nas provas do passado, mas acreditar que os anos e os séculos não são mais solicitados aos vestibulandos, pode ser uma aposta perigosa. Para confirmar isso, veja o enunciado desta questão da Unesp 2013: “O Brasil assistiu, nos últimos meses de 1822 e na primeira metade de 1823”, e na sequência as alternativas. Não se deve valorizar demasiadamente as datas, pois a história tem um processo em que as transformações acontecem de forma gradual e não abruptamente em um dia ou em um ano. No entanto, as datas são importantes para que possamos localizar os eventos no tempo.

4. Não misture História do Brasil com História Geral.

Se você quer ter um desempenho sofrível na prova de História dos vestibulares, essa é uma boa dica. Um exemplo de como isso pode ser desastroso é a independência do Brasil. Para o pleno entendimento do nosso processo de emancipação política é imprescindível estabelecer a sua relação com a conjuntura europeia do século XIX. Napoleão Bonaparte dava as cartas do jogo político europeu da época e com a iminência da invasão de Portugal pelas tropas francesas, D. João VI optou, com a ajuda da Inglaterra, transferir a corte para o Brasil. Isso, sem sombra de dúvida, acelerou o processo de independência deste País.

5. Navegue pela internet e descubra o “admirável mundo novo” da História.

Com certeza a internet é uma ferramenta mais do que útil, indispensável nos estudos do vestibulando. Porém, trata-se de um território repleto de perigos. Vou citar dois. Um deles é a infinidade de sites pouco ou nada confiáveis. Converse com seu professor de História e peça sugestões de sites em que você possa realmente encontrar informações confiáveis. Não são muitos, mas existem. Outro perigo é a falta de foco. É comum os alunos relatarem que quando vão pesquisar alguma dúvida de História na internet, acabam se empolgando, abrindo novos links e quando se dão conta, passaram-se 40 minutos e estão bem distantes do tema da dúvida. Não se esqueça, que diante da quantidade assustadora de conteúdos para serem estudados de todas as matérias, perder a objetividade pode ser fatal. Portanto, resista às tentações e pare de ficar abrindo links. Concentre-se no assunto em questão e bons estudos.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

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Sobre o autor

Professor Dimas História

Dimas

Dimas é professor de História no Hexag Vestibulares.

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