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Nordeste: novas dinâmicas econômicas e clássicos problemas sociais

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A região Nordeste é detentora dos maiores níveis de miséria do país. Essa realidade é explicitada a partir de inúmeros indicadores sócio–econômicos: a região ocupa as piores posições no ranking de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no Brasil e as maiores taxas de mortalidade infantil, além de outras inúmeras deficiências.

Os problemas sociais, entre eles a miséria, são fruto da combinação do elevado grau de desigualdade social, herdada do passado colonial e reproduzida de novas maneiras em séculos posteriores, e a baixa participação da economia regional no PIB nacional (o Nordeste representa, aproximadamente, 28% da população brasileira e apenas 13,6% do PIB).

A pequena fatia que o Nordeste representa na economia nacional se deveu historicamente ao predomínio de atividades econômicas tradicionais e de baixa produtividade aliadas ao baixo nível de industrialização. Os destaques foram a indústria tradicional de bens de consumo não-duráveis e a agricultura do tipo extensiva que geravam (e ainda geram) riquezas limitadas em relação ao tamanho da população. Tal fato combinado com a excessiva concentração fundiária corroboraram para a construção de inúmeras contradições sociais. Os períodos de seca no sertão, embora intensificassem este quadro de dificuldades, eram apresentados pelas elites locais para o resto do país como o principal motivo das agruras regionais, mesmo diversos estudiosos alertando para o fato de que “o problema do Sertão não é a seca, mas a cerca”.

Formava-se assim a ideia do Nordeste enquanto “região problema”, área com dificuldades que induziam a migração de seus filhos para outras regiões do país em busca de emprego e melhores condições de vida. Muitas vezes, esses fluxos migratórios foram estimulados por governos para evitar o crescimento de tensões sociais na região, como por exemplo, a ida de nordestinos para o Acre, durante o ciclo da borracha no final do século XIX e, posteriormente, na Era Vargas. Após 1964, os governos militares também estimularam a ida de nordestinos para a Amazônia, dentro da política de ocupação da fronteira setentrional do país. Esta é a questão dos retirantes, já retratada por Luiz Gonzaga em sua clássica música “Asa Branca”, por Graciliano Ramos em “Vidas Secas”, Rachel de Queiroz em “O Quinze” e por Portinari em sua obra “Os retirantes”, além de vários outros trabalhos artísticos.

Uma nova dinâmica econômica local surgiu a partir da ação do Estado na segunda metade do século XX, após a criação da Sudene. Tais iniciativas tinham por objetivo intensificar os investimentos públicos para atrair capitais privados. Nos anos 90, o Nordeste foi beneficiado pelo processo de descentralização industrial em curso no país que era reflexo da abertura econômica.

Nos anos 2000, novos investimentos públicos em obras de infraestrutura associados à redução da pobreza regional atraíram a instalação de empresas. Esse novo momento econômico tem feito o PIB do Nordeste crescer a taxas superiores à média nacional, favorecendo a expansão da oferta de empregos e, desta forma, a inclusão de parcelas marginalizadas da população, diminuindo, assim, o nível de pobreza local.

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Sobre o autor

professor ricardo hexag

Ricardo Rocha

Ricardo Rocha é professor de Geografia no Hexag Vestibulares.

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