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Águas Brasileiras na Berlinda

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Em tempos de acirramento da crise hídrica que assola várias das regiões brasileiras com graves consequências sobre a população de uma forma geral, é sempre de bom grado relembrarmos o retrato geral da distribuição das águas em território brasileiro.

Apesar de o Brasil possuir cerca de 12% da água doce superficial disponível na Terra, há uma distribuição territorial natural bastante desigual desse precioso recurso. A região hidrográfica amazônica concentra 81% da disponibilidade de água em 45% da extensão territorial do país. Pouco mais da outra metade do território possui, portanto, menos de 20% dos recursos hídricos. Nessa outra metade do país, temos um de nossos maiores desafios: boa parte da população urbana está em áreas litorâneas, como nas regiões hidrográficas do Atlântico, onde está 45% da população que divide apenas 3% da água disponível. A região hidrográfica do Paraná, por exemplo, onde estão 36% dos brasileiros, dispõe de apenas 6% dos recursos hídricos superficiais.

No semiárido, que ocupa uma área de aproximadamente 1 milhão de quilômetros quadrados, há 20 milhões de habitantes, ou seja, 12% da população brasileira distribuída por 1.133 municípios em nove estados, do norte de Minas Gerais ao Piauí, sendo que 44% dos seus habitantes encontram-se na zona rural. Essa sensível região apresenta reservas insuficientes de água em seus mananciais, temperaturas elevadas durante todo o ano, baixas amplitudes térmicas, com forte insolação. Os totais pluviométricos são irregulares e inferiores a novecentos milímetros por ano e normalmente superados pelos elevados índices de evapotranspiração, resultando em taxas negativas no balanço hídrico. É, portanto, um território vulnerável onde a irregularidade interanual das chuvas pode chegar a condições extremas, representadas por frequentes e longos períodos de estiagem. Somos, em síntese, um país complexo, diverso e de contrastes naturais e construídos, revelados também na prestação dos serviços de saneamento.

Devemos atentar sempre às variáveis naturais e ambientais para entender por completo o desenvolvimento deste crítico período de crise hídrica que estamos passando. Mas é imperativo também lembrar das características físicogeográficas, bem como o processo histórico de gestão pública e privada de nossos recursos naturais. Desta forma, não compraremos análises prematuras ou carregadas de interesses político-econômicos que muitos veículos da mídia, irresponsáveis ou superficiais, insistem em veicular para inflar opiniões de pessoas mal informadas.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

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Sobre o autor

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Rogério Silveira

Rogério Silveira é professor de Geografia no Hexag Vestibulares.

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