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A cerveja e o segredo da geladeira

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Não citarei marcas, mas se deseja receber amigos em alguma confraternização, qualidade e preço são imprescindíveis na escolha. Existem muitas marcas de cerveja que demonstram preços acessíveis, são as mais procuradas para encontros em que se reúnem muitas pessoas, afinal, se seu grupo de amigos aprecia, de fato, este cultuado líquido, o controle de qualidade deve ser assegurado: compre a marca de sua escolha e divida os custos, experiência própria. Se deixar que cada um leve a própria parte, sempre haverá aquele que compra a pior! Solução: sirva-a extremamente gelada!

Entendam: tenho muitos amigos que se formaram nas “Ciências da Natureza” e mesmo que este texto esteja carregado de descontração, utilizemos os termos corretos! Senhores, estas noções de quente, frio ou gelado, não são adequadas, não podem tornar precisa uma explicação científica. Aqui começamos nossa jornada! O que a cerveja tem com isso? Justamente! Em uma pesquisa básica entende-se os motivos pelos quais cervejas de baixa qualidade, se servidas com temperaturas também baixas, são menos criticadas. De fato, a percepção qualitativa se mostra prejudicada, uma vez que os sensores naturais existentes em nossas línguas sofrem um pequeno processo anestésico, e, fisicamente, um processo interessante: energia térmica é transferida para o líquido! A temperatura em que este grupo de cervejas deve estar, indica um intervalo entre 0 oC e 4 oC, e neste intervalo fica difícil descobrir “o que se bebe”.

Quem chega antes sempre ajuda a arrumar as coisas, uma geladeira improvisada pode ser feita no próprio tanque, basta colocarmos um ou dois sacos de gelo junto com umas latinhas, esperar um pouco e pronto, dá-se início à apreciação! Embora não seja ideal, o tanque tem lá suas vantagens, o concreto é mal condutor térmico, se comparado ao vidro e ao alumínio, e mesmo que não se configure um sistema isolado, as trocas indesejadas interferem muito pouco, tornando o rendimento do experimento altíssimo! A esta hora o pessoal já não percebe adequadamente as nuances gustativas, novos convidados chegam. Na sacola, lá estão, novas e em temperatura ambiente: mais latas de cerveja. Para onde mandá-las? O novo desafio é colocar tudo da maneira mais eficiente possível na geladeira. Devemos lembrar que o alumínio é um ótimo condutor térmico, e assim como as batatas são cortadas em pedaços pequenos para que possam cozinhar mais rapidamente, as latas, colocadas deitadas em contato direto com o refrigerador, trocarão calor mais rapidamente, pois sua área de contato é maior. É neste instante que percebo, fiquei a festa toda pensando em troca de calor, condutores térmicos, eficiência térmica, etc, etc, etc…

Enfim, o pior é ver aquele amigo brigando com a geladeira, pegou uma latinha e fechou a porta, não consegue abrir novamente… Isso ocorre porque na abertura, por um processo chamado convecção, há uma troca gasosa, e o ar que está dentro da geladeira em baixa temperatura, quando a porta é fechada, indica uma pressão menor que a pressão atmosférica, logo, se a pressão dentro é menor que a pressão fora, fica muito difícil de abri-la. Quer saber? Está divertido, vou deixá-lo tentar mais umas vezes…depois eu explico que se enfiar o dedo entre a borracha e a geladeira, ele permitirá a igualdade entre as pressões… enfim, ele que escolheu cursar Direito, paciência… e assim, em cada coisa que vejo, vejo a Física…deixa eu ajudar este cara vai, abraços.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

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Sobre o autor

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Flavio

Flávio é professor de Física no Hexag Vestibulares.

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