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12 anos de carros flex…

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Parece que foi ontem (pelo menos para mim que já não sou tão novinho…), mas os carros Flex já estão no mercado brasileiro há 12 anos.

Mesmo passado todo esse tempo, ainda existem pessoas que não compreendem muito bem o funcionamento desse motor que aceita tanto gasolina como etanol.

Para começo de conversa, o carro flex não é considerado um carro bicombustível, pois o reservatório de álcool e gasolina é o mesmo, ao contrário dos carros que também são movidos a gás.

Muito bem: até o ano de 2003 havia ou carros movidos a gasolina ou carros movidos a álcool. Por quê? Isso acontecia devido à taxa de compressão do motor. A taxa de compressão é definida como a razão entre o volume da câmara de combustão totalmente comprimida pelo volume da mesma câmara totalmente distendida. Por exemplo, se dizemos que um carro tem taxa de compressão 1:12 (1 para 12) significa que o volume da câmara totalmente distendida é 12 vezes maior do que ela totalmente comprimida. O problema é que a gasolina tem a taxa de compressão diferente da do etanol. O motor a etanol tem maior taxa de compressão do que o motor a gasolina. Isso significa que o motor a álcool “resiste mais à explosão” do que o motor a gasolina. O pistão, no caso do etanol, é mais comprimido em cada ciclo.

pistao-carro-flex

Dada essa característica do processo de combustão, não é uma boa ideia abastecer o motor com um combustível diferente do original, correndo o risco de danificá-lo seriamente.

Para resolver esse problema, duas coisas foram fundamentais. A primeira diz respeito à opção dos engenheiros em colocar no motor uma taxa de compressão intermediária entre a gasolina e o álcool. A segunda e mais importante, por sua vez, foi a evolução da injeção eletrônica, que possui um mecanismo (sonda lambda) que analisa o combustível que está sendo queimado e regula a mistura de oxigênio para a sua queima, se adaptando, então, ao tipo de combustível queimado.

O grande ponto positivo dessa tecnologia é que o consumidor não fica mais refém de um único tipo de combustível e de suas eventuais variações estratosféricas de preço.

Um dos principais pontos negativos é que o carro flex não é tão econômico, principalmente quando usado com álcool. Isso ocorre pois a taxa de compressão do motor é regulada em um valor menor que o da gasolina. Dessa forma é como se uma parte do álcool fosse “desperdiçada” em cada ciclo de combustão. O curioso é que mesmo colocando só gasolina, o rendimento do flex também é inferior a um motor só alimentado por este combustível.

O grande segredo é ter na cabeça a famosa conta: Se o preço do etanol for menor que 70 % do valor da gasolina, opte por etanol. Se for maior que esse valor, opte por gasolina. Tenha em mente também que, em termos de poluição, a gasolina é bem mais poluente que o etanol.

Abraços a todos !

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

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Sobre o autor

Professor Jordy Física Hexag

Jordy

Jordy é professor de Física no Hexag Vestibulares.

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