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The Purge: uma leitura tragicômica da sociedade

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O suspense é um gênero que traz como novidades, muitas vezes, filmes que repetem clichês antigos e já desgastados, como os que envolvem elementos sobrenaturais, maníacos ou seres humanos descontrolados, dispostos a fazer qualquer coisa. Mas há muita coisa boa neste gênero, e me surpreendi recentemente com um filme que a princípio parecia ser mais um dessa extensa lista do comum. O filme UMA NOITE DE CRIME (The Purge – 2013) fala de um futuro próximo, 2022, quando os EUA extinguiram totalmente os índices de criminalidade no país e a prosperidade econômica alavancou a pleno vapor. A explicação dada é a criação do dia do expurgo, no qual das 19 até às 7 horas do dia seguinte, todo e qualquer tipo de crime está legalizado, não havendo nenhum tipo de retaliação por parte do Estado. O aval dos psicólogos é que a nossa sociedade é violenta devido à questão instintiva, que está em nossa natureza, a competitividade e o uso de força para buscar soberania ou destaque, sendo então a criação de um dia para pôr para fora todos esses instintos acumulados a saída para se equilibrar essa raiz violenta do homem. Com este cenário, o filme gira em torno de James, que enriqueceu muito desde a criação do expurgo pois trabalha com equipamentos de segurança e, junto de sua esposa e um casal de filhos, está pronto para passar mais 12 horas em sua casa no dia do expurgo. Mas seu filho Charlie não concorda com o expurgo e, ao avistar um morador de rua pedindo socorro em frente à sua casa pelo monitoramento de segurança, fica com dó e abre as portas para ele entrar e fugir do grupo que iria matá-lo. Além do medo de um estranho dentro de casa em um momento que está liberado qualquer tipo de crime, a família de James recebe em sua porta um grupo de pessoas mascaradas que está “caçando” o homem que eles deixaram entrar e imediatamente ameaça com a tradicional chantagem de entregue-o ou sofra as consequências. Deixando bem claro que não acho um filme excepcional, destaco, negativamente, o título adotado no Brasil, que para mim não chama a atenção, e, principalmente, os personagens, que são irritantes, já que os filhos e a esposa de James têm crises de auto confiança e soberba em momentos claramente indevidos. Mas o filme abre uma série de reflexões, sendo uma delas a discussão do quão é biológico/instintivo o comportamento do ser humano em relação ao caráter social, além de uma série de outras discussões de base social embutidas. As vítimas do expurgo são moradores de rua e pessoas pobres que, em geral, não têm mecanismos que as habilite a comprar os caros meios de defesa pessoal. Será que já não há um expurgo acontecendo cotidianamente em nossa sociedade? E há mais coisas, mas aí comprometeria o clímax e o final do filme. Assista, curta, reflita e tire suas conclusões.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

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Sobre o autor

Luciano Kenji

Luciano Kenji é professor de Geografia no Hexag Vestibulares.

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