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A União Europeia e sua primeira “DR”

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O ramo da geografia conhecido como geopolítica estuda as relações entre os Estados-nações e as implicações de suas ações diretas e indiretas. Por esse motivo é uma das áreas que sempre geram questões nas provas de vestibulares todos os anos.

Recentemente, um assunto incendiou as discussões geopolíticas por todo o mundo. O plebiscito sobre a independência da Escócia em relação ao Reino Unido levantou uma série de questões geopolíticas de extrema importância no atual contexto político mundial. Em primeiro lugar, cabe lembrar que o que mais chamou a atenção neste assunto específico foi que pela primeira vez havia uma chance real de uma estrutura política de mais de 300 anos ser desfeita. As pesquisas que antecederam o pleito apontavam quase um empate técnico entre os que eram favoráveis à separação e os que eram contrários. Por isso, principalmente, a questão ganhou os holofotes da mídia por todo o planeta.

A vontade da Escócia de se separar da unidade também formada pela Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte, não é recente. Tampouco é exclusiva escocesa essa vontade. Em um esforço bem menos pacífico, a Irlanda do Norte tenta, desde a década de 1920, não exatamente se tornar um país independente, mas se unir à Irlanda. Neste caso um grupo armado, o Exército Republicano Irlandês (IRA), junto com seu braço político Sinn Féin, já vêm levantando a questão separatista no Reino Unido de forma muito mais contundente.

O espaço da União Europeia está passando por uma espécie de crise de relacionamento. O desgaste criado pela crise econômica iniciada em 2010 acirrou os ânimos políticos dentro do bloco.

Ameaças de expulsões ou saídas voluntárias, caso da Grécia e Espanha, um aperto compulsório da austeridade fiscal e contábil das contas públicas dos PIIGS (sigla que vem sendo usada para Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, os países que mais enfrentaram dificuldades geradas pela crise), intensificação de práticas protecionistas, além de outros movimentos separatistas, como a Catalunha e País Basco na Espanha (este último também envolve a França) e a questão Belga, que envolve as duas regiões que formam o país: Valônia e Flandres são alguns elementos que exemplificam esse momento turbulento pelo qual está passando o bloco.

Assim como uma crise de relacionamento entre pessoas, esta situação na Europa será mais bem superada com muito esforço diplomático, bom senso de todas as partes envolvidas e o principal, deixar que o tempo cicatrize e cure todas as feridas físicas ou não, provenientes desses desentendimentos.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

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Sobre o autor

Rogério Silveira

Rogério Silveira é professor de Geografia no Hexag Vestibulares.

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