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Será o fim da várzea?

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Vamos lá! De qual tipo de “várzea” estamos falando?
As áreas de várzeas são aquelas ocupadas pelos rios nos períodos de cheias. Rios como o Tietê e Pinheiros (tipicamente rios meandrantes) têm vastas áreas de várzeas e essas não deixarão de existir. Mas o futebol de várzea tem seu futuro cada vez mais incerto. Muitos campos de futebol das áreas centrais e periféricas estão desaparecendo, aqueles que restam parecem estar com os seus dias contados. Você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com geografia, né? Explicaremos.
O Brasil passa por um acelerado e caótico processo de urbanização, o qual amplifica sérios problemas como o precário saneamento básico, transporte público insuficiente para a demanda, poluição, trânsito caótico, falta de áreas para lazer… Mas neste texto, queremos alertar para outro problema bastante marcante, que vai ajudar na compreensão da problemática proposta, que é a especulação imobiliária, fenômeno que não é exclusivo das áreas urbanas. A especulação imobiliária se beneficia da forte sobrevalorização de terrenos, neste caso nas áreas urbanas, e isso está levando ao desaparecimento dos campos de futebol, que tradicionalmente ocupavam as áreas de várzeas dos rios.
A escolha dessas áreas, que sofrem com periódicos alagamentos e são “hostis” a ocupações com casas, ruas e comércios, tornavam-se uma opção para a construção dos “campinhos” de futebol, para o deleite da molecada e dos marmanjos. É importante lembrar que vários talentos do futebol brasileiro surgiram nesses campos, vários clubes foram fundados e se beneficiaram da proximidade com o rio.
“Atualmente” as várzeas ficam reféns da ocupação legal e ilegal, devido ao aumento da demanda por moradia. A chegada de infraestrutura pública de saneamento e transporte ‘colateralmente’ amplia o valor do m². A canalização dos rios é outro importante fator, pois o rio “deixa” de inundar a sua várzea (reduzindo ou mesmo acabando com as enchentes) e isso sobrevaloriza essas áreas, que são vendidas por elevados valores.
Será que tudo isso faz parte da ‘evolução’ natural da cidade? Crescer caoticamente, sem planejamento e destruindo espaços públicos importantes para a convivência das pessoas? Como proporcionar uma convivência harmônica em áreas urbanas? Como preservar o tradicional futebol jogado nas várzeas?
A resposta para cada uma das perguntas gira em torno de uma gestão pública que preserve e construa espaços públicos de convivência e lazer, além de combater os agentes que promovem a especulação imobiliária.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

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Sobre o autor

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William Oliveira

William Oliveira é professor de Geografia no Hexag Vestibulares.

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