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A seca em São Paulo e as oscilações do clima

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O verão de 2014 foi marcado por recordes de calor e por índices de pluviosidade bem abaixo das médias históricas o que contribuiu para a crise hídrica vivenciada pelo estado de São Paulo.

A ausência de chuvas no estado sofreu influência de um fenômeno natural que ocorreu no Oceano Pacífico conhecido pelo nome de Oscilação Decadal. Dada a sua grandeza, aproximadamente um terço do planeta, o Pacífico consegue gerar alterações climáticas em nível global.

A Oscilação Decadal do Pacífico(ODP) é um fenômeno caraterizado pela alternância da temperatura das águas deste oceano em períodos que duram de 20 a 30 anos. A mudança térmica das águas gera rearranjos nas trocas ocorridas entre o oceano e a atmosfera produzindo uma nova dinâmica climática mundial.

Desde 1998/99, o mundo vivencia a fase negativa da ODP, ou seja, o período em que estas águas encontram-se mais frias. Em tais circunstâncias há redução da pluviosidade, em função da queda da taxa de evaporação, e alterações no padrão de circulação atmosférica. A combinação destas consequências deixou sobre o Sudeste e o Sul do Brasil um centro de alta pressão atmosférica (anticiclone) estacionado, o que contribuiu para a ausência de chuvas.

Condição de tempo estável em pleno verão é situação ideal para a intensificação do calor, pois o lugar passa a receber maior quantidade de energia solar devido à ausência de nuvens.

A Oscilação Decadal não deve ser confundida com o El Niño e La Niña, que embora mudem a temperatura do mesmo oceano, são fenômenos naturais de menor duração (entre alguns meses e pouco mais de 1 ano). O El Niño se caracteriza pelo aquecimento das águas do Pacífico tropical e La Niña pelo resfriamento destas águas. Durante os episódios de El Niño no Brasil há seca no Nordeste e Amazônia. Já no Centro-sul ocorrem chuvas acentuadas.

Durante a fase positiva do ODP (águas aquecidas), é mais frequente a ocorrência de El Niño com maior intensidade e La Niña mais branda. Já nas fases negativas da ODP (águas frias) ocorre o contrário e favorecem invernos mais rigorosos no Sul e Sudeste do Brasil.

O estudo do comportamento do oceano Pacífico e o impacto sobre o território brasileiro é fundamental para o planejamento administrativo do país, haja vista os inúmeros problemas econômicos e sociais que tais fenômenos trazem. Desvendar o padrão de comportamento do clima no Brasil durante os episódios da ODP, do El Niño e da La Niña (e já há muitas informações a respeito) ajudariam o país a evitar ou atenuar uma série de problemas tais como a crise de abastecimento de água em São Paulo neste ano.

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Autor: Professor Ricardo Rocha

Ricardo é professor de Geografia no Hexag Medicina.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

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Sobre o autor

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Ricardo Rocha

Ricardo Rocha é professor de Geografia no Hexag Vestibulares.

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