Início / Blog / Atualidades / O brasileiro e os espetáculos acima deles

O brasileiro e os espetáculos acima deles

Responsive Image

No último mês de fevereiro, tive uma experiência esportiva que me fez refletir sobre a sociedade brasileira. Estava assistindo ao Brasil Open de tênis, torneio sediado na cidade de São Paulo e me deparei com um comportamento que não reflete o espírito do esporte.

Durante as partidas de oitavas de final, quartas de finais e semi-finais nas quais o único tenista brasileiro, João Souza, (vulgo “Feijão”) disputava o torneio, a torcida presente no ginásio do Ibirapuera se manifestava de forma hostil ante os adversários estrangeiros.

Já nas oitavas de finais, o ginásio vaiava e hostilizava o adversário do brasileiro, atrapalhando o jogo. As vaias e gritos entre os pontos e após eles desestabilizaram o adversário e ajudaram na atuação do brasileiro, que se motivava com a torcida que o apoiava. O problema foi justamente esse conceito de “apoio”, pois para o povo brasileiro, e isso é latente em eventos esportivos, apoiar passa necessariamente por depreciar o adversário.

Na partida de quartas de finais, Feijão enfrentou um adversário argentino, e por isso, a partida ganhou ares de final de Copa do Mundo. O jogo foi duro, longo e a torcida hostilizou o argentino por todo o tempo, sem intervalos ou pausas. A impressão era de que ninguém estava ali pelo espetáculo que os atletas proporcionavam, mas sim para extravasar uma raiva reprimida, expurgando todas as suas frustrações diárias sobre o atleta argentino.

Na semi-final, mais um espetáculo lamentável proporcionado pela torcida brasileira, onde o adversário, um italiano muito educado, agüentou toda a pressão de ser o “monstro da vez”, e sob vaias enormes, conseguiu vencer o brasileiro num ótimo jogo. A torcida se portou tão mal nesse jogo, que o juiz principal teve que pedir inúmeras vezes que a torcida não se manifestasse durante o ponto.

Deveria haver uma aula de etiqueta para os brasileiros que não entendem que os atletas treinam para proporcionar o melhor espetáculo possível, e por vezes sofrem muito para competir. Brasileiro ainda acha que se não ganhar na técnica, se deve ganhar no grito. Triste para um país que irá receber ano que vem um evento de porte dos Jogos Olímpicos, onde a elite do esporte mundial vem agraciar o público com o que há de melhor nas modalidades olímpicas.

Espero que algo aconteça para isso mudar até os jogos do Rio 2016, e que a fama de receptivo dos brasileiros se estenda aos complexos esportivos.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

Compartilhe

Sobre o autor

Rozante

Rozante é professor de História no Hexag Vestibulares.

Comentários

Responsive Image