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EU TENHO MEDO DE MÉDICO, HOJE

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“Eu tenho medo de médico, hoje. E olha que dou aula há 30 anos”

A afirmação acima é de Segisfredo Brenelli, presidente da Abem (Associação Brasileira de Educação Médica), em palestra no 2º Fórum A Saúde do Brasil, que aconteceu em São Paulo no mês passado.

A afirmação reflete bem o atual cenário da formação médica no Brasil. Vamos entender a real motivação dessa assustadora fala?

O Cremesp

Já há 10 anos, existe um exame de avaliação do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) aplicado em todos os formandos, e que se tornou obrigatório desde 2012. Até aí, tudo bem. O problema é que – pasmem! – o índice de reprovação tem atingido praticamente 60% dos recém-formados em medicina no Estado de São Paulo.

Gente! Mais da metade… E não esqueçam que estamos falando de SP, onde nós temos algumas das melhores escolas médicas do país. Imaginem a situação no restante do país.

Braúlio Luna Filho, presidente do Cremesp declarou que os estudantes erram questões básicas sobre atendimento inicial de vítima de acidente de trânsito ou de ferimento por arma branca, pneumonia, pancreatite aguda e pedra na vesícula.

A provão é obrigatório para obtenção do registro do CRM (Conselho Regional de Medicina), entretanto o fato do aluno ser reprovado não o impede de exercer a profissão. Não é permitido, por força de lei, condicionar o registro ao resultado do exame de avaliação. Isso exigiria uma lei federal, como a que instituiu o Exame da OAB.

Escolas Privadas tem Situação Pior

Nas escolas privadas a situação é mais grave: reprovação de 65% contra 33% nas escolas públicas, segundo dados de 2014. As escolas de medicina abertas recentemente são o maior problema. “Não tem uma escola aberta nos últimos dez anos que tenha tido resultado bom no exame”, afirma Luna Filho.

Especialistas afirmam que o número elevado de cursos de medicina dá margem a discrepâncias em todo o país, como por exemplo cursos de medicina que são coordenados por profissionais de outras especialidades e faculdades que cobram mensalidades exorbitantes sem a contrapartida de uma formação de qualidade.

Segundo Mario Dal Poz, professor do Instituto de Medicina Social da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), a avaliação do nível de conhecimento dos formandos não se limita apenas ao aprimoramento do ensino nas instituições, mas principalmente uma medida de proteção para a sociedade.

Existe solução?

O duro é que a solução para o problema não é um consenso. Governo federal e CFM (Conselho Federal de Medicina), diferentemente do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) defendem que os alunos sejam avaliados periodicamente ao longo do curso, e não apenas no final.

Enquanto isso, a população segue correndo o risco de ser mal atendida – e a probabilidade não é pequena – e ter sua vida colocada em risco por um profissional mal formado.

Oremos. Até a próxima, gente!

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

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Sobre o autor

professor caco hexag

Caco Basileus

Caco Basileus é coach e professor de Física no Hexag Vestibulares.

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