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Aerotrópole – Voo sem escalas para o futuro

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Você sabe o que é uma “aerotrópole”? Não? Sem problemas! Boa parte dos brasileiros nunca ouviu falar dessa palavra. Quer saber do que se trata? Então vamos lá!

Eu tomei conhecimento do significado dessa inusitada palavra há 2 anos, quando, ao matar o tempo antes de embarcar para uma viagem que iria fazer, olhando meio desinteressado em uma livraria do aeroporto de Cumbica em Guarulhos, um livro captou minha atenção: “Aerotrópole – o modo como viveremos no futuro”. Hipnotizado pelo título, que parecia misturar alguma coisa ligada à urbanização e talvez algo do setor aéreo, comprei o livro e comecei a leitura de imediato.

Mas, afinal, vamos ao significado do termo: o conceito de aerotrópole é tão grandioso quanto seu nome sugere: resume-se à construção de grandes pólos urbanos tendo, como centro (e ponto de germinação), um aeroporto; a ideia é ter o aeroporto como regente de toda a dinâmica da economia da região, uma vez que, a partir dele, serão construídos corredores rodoviários, empresas (sendo, a grande maioria, de segmentos relacionados ao transporte, logística e serviços), centros comerciais e áreas residenciais.

“A era do instante, com viagens que favoreceram a ubiqüidade, escalas de trabalho de 24 horas, sete dias por semana e cadeias globais de suprimentos, exigirá uma reconfiguração radical. Cidades deverão ocupar o entorno do aeroporto em círculos concêntricos de zonas comerciais e residenciais. As forças econômicas e tecnológicas que vão guiar essa transformação são irresistíveis”

Aerotrópolis

Disponível em: http://blog.dvseditora.com.br/index.php/category/john-d-kasarda/ Acesso em 7 de julho de 2015

O trecho acima, escrito por John D. Kasarda – autor do referido livro – transmite a ideia do conceito e a dinâmica dos fluxos materiais que representam o estágio máximo da globalização embutida nos argumentos apresentados na obra.

Existem aerotrópoles em formação espalhadas pelo mundo todo: Amsterdam com o aeroporto de Schiphol, Hong Kong, Incheon na Coreia do Sul, Dubai, Chicago, Dallas, Washington e Memphis. Existe, inclusive, um projeto de uma aerotrópole brasileira(!). Trata-se da aerotrópole de Confins, em Belo Horizonte (MG), com base no Aeroporto Internacional Tancredo Neves; é um projeto de longo prazo (afinal, convenhamos, não é tão simples assim!) que tem previsão para conclusão em cerca de 30 anos.

Após a leitura dos primeiros capítulos do livro, não tive dúvidas quanto aos benefícios econômicos e financeiros que uma aerotrópole pode gerar. O aumento na eficácia dos fluxos de mercadorias e a completa integração modal dos fluxos dão um imenso impulso não só ao dinamismo urbano, mas ao cenário macroeconômico nacional de onde tal cidade estiver instalada.

Mas lembrando das ideias do professor Milton Santos, o processo de globalização tem, além do aspecto de fábula – supostos benefícios gerados pela dinâmica gerada – o lado perverso, a exclusão e o distanciamento daqueles que não participam de tal processo. Que benefícios sociais serão gerados por uma aerotrópole? Qual será a participação da população de baixa renda nesse processo todo? Curiosamente (ou não) não encontrei tais discussões no livro. Por que será tão difícil para os empresários e beneficiários da reprodução do capital debaterem como poderiam dividir, um pouco que seja, os ganhos que certamente teriam com empreendimentos dessa natureza? Será que eles não compartilham da ideia de que a real felicidade está em dar e não em receber?

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Hexag.

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Sobre o autor

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Rogério Silveira

Rogério Silveira é professor de Geografia no Hexag Vestibulares.

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